Depressão, Caminho e Superação

Depressão, Caminho e Superação

Precisamos compreender a depressão, entender que não cabe preconceito, não é fraqueza, não é falta de caráter, não é vitimismo, nem mesmo coisa de quem não tem o que fazer, é uma doença de ordem psiquiátrica, na maioria das vezes incapacitante, trazendo prejuízos significativos na vida do indivíduo, afetando áreas importantes da vida, social, profissional, acadêmica, interpessoal dentre outras.

Embora os transtornos depressivos serem duas vezes mais comum entre as mulheres do que nos homens, é alarmante saber que além dos sintomas estarem permanecendo por um período maior, há um número significativo de pessoas acometidas por ela, valendo salientar que a doença está se iniciando em idades mais jovens e até mesmo em crianças, o que nos alerta para a urgência de nos informarmos mais ainda sobre a doença, uma vez que seu diagnóstico precoce possibilita o tratamento de forma mais rápida e eficaz.

Infelizmente ainda há muito preconceito de pessoas leigas, inclusive de alguns profissionais dentro da própria área de saúde.

A dificuldade do próprio indivíduo em perceber e aceitar a doença, mesmo com todo o desconforto e sofrimento é muito comum, apenas depois de consultar um médico ou mesmo dentro de um processo psicoterápico é que ele vai se dando conta e se conscientizando da doença. O estigma impede as pessoas acometidas de procurar ajuda, o que dificulta mais ainda o diagnóstico e o início do tratamento.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), já vê a doença como uma epidemia, ocupando o primeiro lugar no que se refere a impacto econômico, uma vez que devido a doença as pessoas precisam ser afastadas de suas funções laborais , ou até mesmo demitidas por não conseguirem ser produtivas no trabalho.

Ao falarmos de depressão, não estamos falando de uma tristeza pontual, devido a um rompimento de um relacionamento, perda de um emprego, perda de um ente querido…

A tristeza é um sentimento natural e importante na nossa vida em algumas situações, precisamos vivenciá-la. No entanto, estamos falando de uma tristeza muito maior, um vazio existencial , falta de prazer no que antes era prazeroso, humor alterado, total falta de perspectiva, desanimo, falta de energia em tudo, transtornos do sono, baixa autoestima, dificuldades cognitivas, comportamentais, uma visão totalmente extremista e negativa da vida, sentimentos de culpa e menos valia, uma “paralisia” emocional e funcional perante a vida, podendo levar até o suicídio.

Valendo salientar que nem toda pessoa acometida por um transtorno mental se suicidará, porém todo cuidado é importante, não podemos subestimar.

Precisamos acolher os pacientes, buscar formas de cessar ou minimizar sua dor que abrange seu corpo, mente e espírito. Dar o nosso melhor para acionar no outro o melhor dele.

É muito importante frisar que estar triste é normal, mas viver triste não. Por outro lado, o rótulo “ depressão” também tem sido frequentemente atribuído a muitas pessoas, uma vez que não podemos confundir um quadro depressivo, com as frustrações e tristezas presentes na vida.

Algumas pessoas relatam um cansaço e esgotamento muito grande, com dificuldade inclusive para se levantar da cama pois demanda um esforço intenso se tornando muitas vezes muito difícil se levantar , preparar a refeições , se higienizar …

O diagnóstico não é fácil, podendo se manifestar de formas diversas, de simples ela não tem nada, é necessário avaliar desde faixa etária acometidas, averiguar causas até a capacidade, principalmente dos homens , em “driblar” a depressão com trabalho,
esporte, consumo, impedindo que seu problema seja diagnosticado.

Podemos perceber a doença também através de metáforas verbais como:

  • Estou num buraco negro;
  • Não consigo sentir mais nada;
  • Não tenho sentimento;
  • Não tenho motivos para viver;

Todo tipo de depressão (clássica, psicótica, atípica, bipolar, circunstancial, pós luto, esgotamento profissional, dentre outras), podem apresentar níveis de gravidada variáveis, leve, leve a moderado, moderado, moderado a grave e grave, ou seja, pode se manifestar de formas bem diversas, o que torna mais difícil o fechamento do diagnóstico.

Em relação ao que desencadeia o transtorno, podemos dizer que vários fatores se interligam, entre eles podemos citar: a genética, história familiar, influências culturais, o estresse, situações traumáticas não superadas, perdas, alterações corporais que atingem o cérebro e outros sistemas do organismo.

A maioria dos especialistas concorda em que o aumento do número de casos de depressão, são causados por fatores externos, chamadas depressões reativas e não “endógenas” como antes se chamava.

É preciso ter propósito e sentido na vida, os objetivos mantem a mente ocupada e seus conteúdos precisam dar sustentação à vida, caso contrário as portas da depressão podem se abrir. Desprezarmos a questão do sentido para a vida, cria um campo fértil para as depressões.

“ Onde não existe alegria, não pode haver caminho”.

Hoje em dia a união entre psicólogos, psiquiatras e terapeutas em geral foi um grande avanço no tratamento da depressão, buscar uma maior compreensão dos transtornos depressivos é a forma mais efetiva de pensarmos em novas terapias medicamentosas e complementares, uma vez que a depressão é uma doença complexa e desafiadora não só para as pessoas acometidas pela doença mas para toda a equipe de profissionais envolvidos.

O tratamento de base hoje para os transtornos depressivos é terapêutica medicamentosa , psicoterapia e outras terapias biomédicas, essas condutas associadas oferecem mais chances de obter sucesso na redução ou eliminação dos sintomas depressivos.

Em relação a abordagem psicoterápica , a Teoria Cognitivo Comportamental (TCC) tem se mostrado eficaz, uma vez que trabalha com a identificação dos pensamentos distorcidos e negativos a respeito de si, do outro e do mundo. O terapeuta guia o paciente para ver a legitimidade de seus pensamentos, ensinando ao paciente questioná-los,

interrompendo o ciclo automático de negatividade que retroalimenta a depressão. Dando continuidade aos benefícios da TCC, mostra-se também eficácia no desenvolvimento de habilidades específicas que além de minimizar a depressão, reduzem as chances de futuras recaídas.

Vale salientar que a família e as redes de apoio como, amigos, parentes, escola, são fundamentais no processo de apoio, suporte para os pacientes acometidos pela doença, propiciando assim maior acolhimento e bem estar, onde a união de todos faz a força.

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